A cerveja em Nova Friburgo
Por Carlos Jayme de Siqueira Jaccoud, em 17 de novembro de 2009

Um lembrete ao turista desavisado: se algum dia você chegar à Alemanha, terra da cerveja, entrar em uma das cervejarias lá existentes e, com a goela seca, pedir ao garçom “ein chopp”, vai continuar com o goela seca pois ele vai responder “ Ich weiss nicht wass ist das ” ( Eu não sei o que é isto). O Brasil é o único país do mundo onde você pode pedir um “chopp”, ser servido e saboreá-lo.

Quando os alemães aqui chegaram, no meado do século IXX, para instalarem a sua primeira cervejaria no Rio de Janeiro, que logo caiu no goto do carioca de então, incutiram no povo da terra o hábito de tomarem um “schoppen” de cerveja. “Schoppen” era o nome de uma medida de volume usada na Alemanha daquele tempo e correspondia ao volume da caneca em que ela era servida. O carioca, no seu eterno gosto de simplificar as coisas, reduziu o “schoppen de cerveja” para um simples “schoppen”, que acabou virando “chopp”. O nome “pegou” e alastrou-se pelo Brasil.

A diferença entre o “chopp” e a cerveja em garrafa é que esta, para se conservar por muito tempo, passa por um processo de pasteurização na ocasião do engarrafamento, o que acarreta uma pequena diferença no sabor entre os dois. O “chopp” em barril é a cerveja não pasteurizada e que, por isto, se conserva por pouco tempo. Se não for logo consumido, vai perdendo o sabor e acaba por deteriorar-se. Quanto menos tempo entre a fabricação e o consumo, melhor o sabor do chope. Nas cervejarias da Alemanha, a cerveja é tirada de barris, às vezes, saídos das fábricas poucas horas antes. Lá, cada cidade que se preze tem uma ou mais cervejarias, com marcas próprias, com os mais variados sabores e graduações alcoólicas, embora existam grandes cervejarias que distribuem suas cervejas por todo o país.

A primeira notícia que temos da cerveja em terra friburguense data de 1861, quando, em 11 de abril, Pedro Gehart pede à Câmara da Vila de Nova Friburgo licença para abertura de uma fábrica de cerveja. Não encontramos registro se a fábrica chegou a funcionar. “O Friburguense”, de 22 de novembro de 1891 nos dá notícia de que as firmas A. de Beauclair & Cia. e Gonçalves & Bastos solicitaram ao Conselho de Intendência do Município, permissão para conservarem abertas, aos domingos e feriados, depois das 3 horas da tarde, as portas de suas fábricas de cerveja. Isto nos leva à conclusão de que havia funcionando, ao mesmo tempo, duas fábricas de cerveja naquela época.

Em 1893 a Cervejaria Beauclair, fabricante da cerveja FRIBURGO-BRAU anunciava a inauguração da sua nova fábrica, localizada próximo ao “chalet” Mac Nivem, com os mais modernos equipamentos importados da Alemanha, com depósitos de fermentação, adegas subterrâneas e com pasteurização final do produto. A fabricação utilizava unicamente cevada e lúpulo, importados dos melhores fornecedores alemães.

Não conseguimos saber até quando funcionou a Fábrica de Cerveja Beauclair, mas a cerveja SUSPIRO, lançada por Gonçalves & Bastos, foi fabricada até os anos 40 deste século, portanto durante 50 anos, produzida, sucessivamente, pelos seus lançadores, pela Fábrica de Bebidas Vaz Corrêa e pela Fábrica de Cerveja Iris, do sr. Salomão Salles.
Até recentemente havia em Muri uma fábrica artesanal de cerveja que levava o nome do bairro e que somente era vendida no local.

Embora ainda não tenhamos conseguido comprovação, tivemos informação de que o alemão Ernst Kappel, tronco da família Kappel em nossa cidade, aqui chegado em 1911 para a montagem da fábrica ARP, foi possuidor de uma cervejaria no fim da primeira ou princípio da segunda década deste século, localizada na Rua Mac Nivem. Teria sido nas instalações da Fabrica de Cerveja Beauclair ?

Um dos grandes bebedores de cerveja de Nova Friburgo foi o saudoso José Machado. Ele adorava uma “lourinha”, desde que fosse Brahma. Qualquer outra marca era intragável e dava dor de cabeça, dizia ele, embora várias vezes tivesse tomado cerveja Antarctica com o rótulo da Brahma, trocado pela turma gozadora do Country Clube. Um dia ele recebeu um folheto anunciando um equipamento para fabrico de excelente cerveja caseira, que era vendido com os componentes da bebida e com minuciosa explicação de como fabricá-la . Ele ficou entusiasmado e encomendou o “kit”. Passado algum tempo perguntamos a ele se havia conseguido fabricar a cerveja. Ele respondeu que sim e que era muito fácil a preparação. Então, perguntamos: E que tal a cerveja? E ele respondeu: Uma bela bosta.

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