A festa das três obras que não começaram
Por Carlos Jayme de Siqueira Jaccoud, em 04 de novembro de 1998

O dia 6 de agosto de 1820, domingo, foi um dia de festas para a, recém fundada, Vila de Nova Friburgo. O Monsenhor Miranda, Grande Chanceler do Reino e Inspetor Geral da Colônia, com grande ostentação e pompa, programou uma grande festa para homenagear D. João VI e lançar a pedra fundamental de um monumento, de uma escola e de um hospital. D. João estava cheio de amores e esperança com a nova colônia · queria dotá-la de todas as bases necessária à vida de uma futura próspera cidade.

Naquele dia, desde cedo, os antigos habitantes da região, os portugueses convidados e os imigrantes suíços, vestindo as suas melhores roupas, foram agrupando-se em frente ao prédio do Chateau du Roi (onde hoje é o Colégio Anchieta}, antiga sede da Fazenda do Morro Queimado, que passou a ser o palácio do rei e onde funcionava a Casa de Inspeção, a Câmara e a igreja da paróquia de S. João Batista, enquanto não se construíam os respectivos prédios. Às 9 horas, hora marcada para o início das solenidades, um destacamento militar especialmente enviado pela coroa, sob o comando do coronel Charles Schimidt, aproxima-se em marcha e pára diante da multidão. Aos soldados são entregues coroas de flores para serem colocadas sobre as pedras que vão iniciar as fundações. Depois da benção, pelo padre Joye, dos estandartes trazidos da Coroa pelo Monsenhor, dá-se início ao cortejo. Ele é precedido por 200 alunos suíços conduzidos pelo professor Bonaventure Bardy e dirige-se para a praça principal da vila a, então, Praça D.João VI. Lá, exatamente no centro da praça, o cortejo pára e posiciona-se em torno de um palanque ali armado. O Comissário Geral de Polícia Charles Quévremont sobe ao palanque e faz um brilhantes discurso dizendo que naquele local, assinalando o centro de uma região onde, até recentemente, só havia floresta, o augusto D. João VI, digno rebento de uma dinastia de 23 reis, havia implantado aquela vila, semente de uma grande cidade. Naquele local começaria a ser construída uma pirâmide que representará uma homenagem da colônia ao seu augusto rei. O padre Joye, devidamente aparamentado, abençoa o local em que será erguido o monumento.

Terminada a cerimônia o cortejo dirige-se para o local onde será erigido o prédio que abrigará uma escola, uma biblioteca, um museu e outras dependências e será o centro cultural e social da colônia. Após um inflamado discurso de Pierre Porcelet, de Estavayer-le-Lac, procedeu-se à benção da pedra fundamental e a colocação definitiva da mesma. Novo deslocamento do cortejo para outro local, novo discurso, dessa vez proferido pelo professor Bonaventure Bardy, de Fribourg, nova benção e colocação da pedra fundamental do futuro Hospital. Terminou a festa. No semblante dos colonos o sorriso alegre da esperança.

Nada daquilo se realizou. D. João VI passou a ter assuntos mais importantes a tratar. Movimentos liberais pelo pais afora e notícias preocupantes vindas de Portugal abatiam o ânimo de El-Rei. Oito meses depois embarcava de volta à Lisboa. A colônia ficou sem o seu protetor e os projetos desmoronaram.

Em três pontos da cidade, enterradas com um monte de esperanças, estão as pedras iniciais das três obras que não começaram.

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