A gripe espanhola em Nova Friburgo
Por Carlos Jayme de Siqueira Jaccoud, em 06 de março de 2001

Em 1918, enquanto na Europa, ia terminando a “grande guerra”, com o povo europeu em estado de debilidade física, em conseqüência das privações per ela provocada, irrompeu uma epidemia de gripe, de tremenda virulência, que assolou o mundo e ceifou vinte milhões de vidas, matando mais do que a própria guerra! No Brasil, ela chegou em outubro daquele ano. Com a nossa mania de apelidar os surtos de gripe, ela recebeu o nome de “espanhola” porque, ao que parece, começou na Espanha. No Rio de Janeiro, diz o Monsenhor Miranda em seu livro “Centenário Paroquial”, ela começou por volta de 12 de outubro daquele ano e matou mais de 20.000 pessoas, chegando a afetar os serviços públicos, tal o número de pessoas simultaneamente atacadas. Em Nova Friburgo, conta o Monsenhor Miranda, o primeiro caso aconteceu numa casa na rua General Osório em um cômodo ocupado por várias pessoas , adoecendo uma delas, vinda do Rio de Janeiro e logo a doença se espalhou, como um rastilho de pólvora, por toda a cidade e município. De 18 de outubro a 7 de dezembro foram sepultadas no cemitério público 129 pessoas, sem contar os que faleceram na zona rural e lá foram enterradas. A população local, no centro da cidade, devia girar em torno de 10.000 habitantes.O primeiro óbito provocado pela “espanhola” em nossa terra, registrado em 20 de outubro, foi o de Alfredo Carlos, de 24 anos, empregado da casa Spinelli & Filhos.

O prefeito interino da cidade, Francisco Caetano da Silva, ante a violenta rapidez com que se multiplicavam os casos, convocou todos os médicos da cidade, Henrique de Beauclair, Julião do Amaral, Galdino do Valle Filho, Acurcio Benigno, Emilio Sampaio, Julião do Amaral e Luiz Maranhão, estes dois do Sanatório Naval e Bonifácio de Figueiredo, da Estrada de Ferro Leopoldina, e mais os doutorandos Sylvio Braune e Mario Sertã, para que se juntassem todos no combate à epidemia.

Em carta de 22 de outubro, o Diretor do Sanatório Naval informa ao Prefeito que lá estavam internados 192 casos, alguns graves e que já tinha havido 4 óbitos..

Informa o “Jornal da Cidade” que, numa carta em resposta ao prefeito, o dr. Galdino do Vale Filho diz: “Como me dá a honra de consultar, permito-me falar com a franqueza de médico, que a única providência que o governo local pode e deve tomar é fazer a improvisação de uma casa em hospital de emergência, para a assistência eficaz aos pobres onde, além de tratamento médico, lhes seja ministrada alimentação adequada, sob um teto higiênico”

Ante o recrudescimento da epidemia, a Prefeitura instalou, no Teatro Dona Eugênia, uma enfermaria de emergência que foi entregue aos doutorandos Mario Sertã e Sylvio Braune, chefiados pelo dr. Acurcio Benigno. As três farmácias da cidade, Braune, Central e Guariglia entraram em febril movimento aviando as receitas formuladas pelos médicos. Lembramo-nos de ouvir de nosso pai, Aristão Jaccoud, que era um dos donos da Farmácia Central, dizer que ele e os empregados Atahyde de Freitas e Ernani Moraes, mesmo atacados pela gripe, se revezavam no aviamento das receitas e que, com grande esforço físico, conseguiram atender a todos os que lá chegaram, pudessem, ou não pagar pelos remédios receitados. Dizia nosso pai que o mesmo aconteceu na Farmácia Braune e que a Farmácia Guariglia, no meio da epidemia, foi obrigada a fechar as portas porque os que lá trabalhavam, fortemente atacados pela gripe, ficaram impossibilitados de continuarem na luta.

Com a rapidez com que a gripe chegou, ela se foi. No dia primeiro de dezembro seguinte o jornal “Cidade de Friburgo” convoca o povo para uma missa de ação de graças pelo término da terrível epidemia.

“É digno de reflexão”, diz o monsenhor Miranda em seu livro, o fato de que nem um único caso de gripe espanhola foi registrado no Colégio Anchieta e no das Irmãs Dorotéias, embora todos os padres e freiras houvessem trabalhado, ativamente, atendendo os doentes necessitados.

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