O Quebra Lampiões
Por Carlos Jayme de Siqueira Jaccoud, em 17 de novembro de 2009

Em 1881, prestigiada com a presença de S.M. o Imperador D. Pedro II, a cidade de Campos tornou-se a primeira cidade da América do Sul a eletrificar sua iluminação pública. Oito anos depois, l889, Juiz de Fora inaugura a primeira usina hidroelétrica do país. Outras cidades começam a se eletrificar pelo Brasil afora. Pouco depois, Porto Alegre, Curitiba e São Paulo já têm bondes elétricos circulando em suas ruas. As pequenas lâmpadas de Thomas Edison começam a iluminar as noites de muitas cidades brasileiras. Na virada do século XX os primeiros poucos “kilowatts” gerados na usina termoelétrica de Campos já são, pelo país afora, mais de 12.000.

Nova Friburgo, em assunto de iluminação, continuava parada no tempo. Depois que o sol se punha por trás das montanhas, acendiam-se as velas, lamparinas e candeeiros, como no tempo da colonização. Atendendo aos reclamos da população a Câmara, em 1890, criou o serviço de iluminação pública que começou com 80 lampiões espalhados pela cidade. Quando o manto da noite começava a cobrir o nosso vale lá iam, com uma escada nos ombros, os funcionários encarregados de abastecer e acender os lampiões, que eram por eles apagados às onze horas da noite. Quando havia luar, os lampiões não eram acesos. A lua iluminava mais.

A população da cidade não estava contente com a nossa iluminação pública sabendo que muitas cidades já possuíam a iluminação elétrica. Fazia pressão sobre a Câmara, principalmente os comerciantes. Em 1893 ela contratou os serviços do engenheiro Joseph Linch para que fizesse um estudo sobre um sistema de abastecimento de água e de geração e distribuição de energia elétrica para a cidade. Pelo que sabemos o estudo começou e não terminou. Em 1896 a Câmara publicou editais convocando interessados na exploração daqueles serviços. Ninguém se apresentou. Em 8 de março de 1902 novo edital é publicado, talvez por pressão de um interessado porquanto 14 dias depois, a 22 do mesmo mês, o engenheiro Diogo Campbell, enteado do Barão de Nova Friburgo, apresentou uma proposta para a iluminação elétrica, que foi aprovada no dia 31 e, já no dia 4 seguinte, foi firmado o contrato. Tudo, até aí, a toque de caixa. Da obra, que tinha prazo de 10 meses para a inauguração, não encontramos mais nenhuma referência. A população deve ter ficado decepcionada.
Em julho de 1904, dois anos depois do contrato de Campbell, Antonio Fernandes da Costa, o Coronel Costa, homem rico e de prestígio, que passava o verão em nossa cidade em sua bela casa, onde é hoje o Palácio Episcopal da cidade, apresentou à Câmara uma proposta para a exploração do serviço de eletricidade e conclusão do serviço de água. A proposta é aceita e firmado contrato com final estipulado para 5 de novembro de 1906. Poucos dias antes da data prevista para a conclusão concede-se uma prorrogação para igual data de 1909. Em setembro de 1909 o Coronel Costa reclama da Câmara uma definição sobre a planta de localização dos pontos de iluminação pública, que ele solicitara em março e que até aquela data não fora decidida. Mais um ano de prazo e, em 1910, mais um outro ano. Os friburguense já não sabiam mais o que pensar.

Enquanto os prazos para a conclusão da instalação iam correndo, chegou a Nova Friburgo, trazido por Maximiliano Falck, o abastado comerciante e industrial alemão Julius Arp que encantou-se pela cidade, Ele estava importando máquinas para instalar uma indústria em Santa Catarina, onde já tinha outra fábrica. Sabendo que o Coronel Costa talvez se interessasse em negociar a empresa que estava construindo a usina, entrou em negociação com ele. Acertou a transferência das ações e dispôs-se a instalar aqui a indústria que estava importando. Surgiu o grande problema: a transferência da concessão. Interesses escusos e talvez políticos, começaram a protelar a decisão da Câmara. O tempo corria e não havia solução. Os ânimos começaram a se exaltar. A cidade foi ficando nervosa e decepcionada.

Corria o ano de 1911. Num belo dia de maio, exatamente no dia 17, um boato correu a cidade como um furacão. Constava que Julius Arp, desiludido com a cidade, resolvera desistir da empresa de eletricidade e levar sua fábrica para Santa Catarina. O povo começou a reunir-se na praça. As vozes começaram a se elevar. Alguém sugeriu e lá foi o grupo para a Câmara. Aos gritos pediam uma explicação. Ninguém apareceu para responder. Então o “pau comeu”. A multidão saiu pelas ruas destruindo todos os lampiões e, depois, invadiu a Câmara e quebrou tudo o que era quebrável. Foi um amargo mas um santo remédio. No dia seguinte o procurador da Câmara foi enviado ao Rio de Janeiro para levar, ao sr. Arp, a minuta do contrato. Finalmente, em 20 de junho de 1911, a Câmara autorizou a transferência da concessão para Arp & Cia. Mais quatro dias, em 24 de junho de 1911, a luz elétrica iluminou Nova Friburgo.

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