O roubo do cofre da Câmara
Por Carlos Jayme de Siqueira Jaccoud, em 17 de novembro de 2009

Em 17.04.1820 foi oficialmente instalada a Vila de Nova Friburgo. Naquele dia o Ouvidor da Comarca do Rio de Janeiro aqui presidiu, em nome de S. M. D. João VI, a eleição da primeira Câmara da Vila para o período 1821/ 1822 e deu posse aos eleitos. Dois dias depois, devidamente convocada, reuniu-se a Câmara para a nomeação do quadro de funcionários da Vila. Começou Nova Friburgo a ter vida própria e com ela a necessidade de arrecadar fundos para cobrir as suas despesas. Como receita cabia à Vila as concessões dos “Ramos” ou sejam, atividades em trabalhos ou profissões, entre eles a venda da aguardente “aquartilhada” (vendida em quartilhos, medida da época correspondente a cerca de meio litro), o da afiliação ( aferição de pesos e medidas), o do talho da carne verde, multas aos colonos por faltarem às convocações para limparem os caminhos, aos jurados e vereadores ausentes às seções para as quais foram convocados, arrendamento dos moinhos, renda dos leilões de bens dos colonos falecidos e sem herdeiros, etc. etc. Onde guardar o dinheiro arrecadado se os bancos ainda não existiam? Para aliviar a responsabilidade dos tesoureiros das Câmaras aqui se usava o mesmo que em outras vilas do país. O dinheiro era guardado em um cofre de madeira reforçada com barras de ferro e com três fechaduras cujas chaves eram entregues pela Câmara a três claviculários por ela eleitos.

Na sessão de 24 de março de 1821 os claviculários apresentaram o cofre à Câmara com o depósito de 1:671$766, valor conferido com os assentamentos do tesoureiro do Conselho, sendo parte pertencente a órfãos de imigrantes falecidos.

Em 27.10.1831, talvez ante dúvidas sobre a segurança do cofre, a Câmara reuniu-se para nomear um depositário encarregado de receber a sua guarda. Foi indicado o médico francês Dr. Bazet, que veio com os colonos e aqui era utilizado como “pau para toda obra”. O Dr. Bazet requereu fosse dispensado da missão pois, além de morar a um quarto de légua da Vila, era constantemente chamado para atendimentos longínquos que o obrigava a ficar mais de um dia afastado de casa. A Câmara atendeu a justa solicitação do médico e resolveu que o cofre passaria a ser guardado, provisoriamente, na própria Câmara. O provisório durou 23 anos. Em 1854 estourou a bomba. O cofre sumiu. O prédio da Câmara foi todo revirado e o cofre não apareceu. Com ele foram-se 405$386, muito dinheiro naquela época. Foi um corre-corre dos diabos. Numa vistoria geral os ilustres vereadores “descobriram” que o prédio da Câmara estava quase em ponto de desabar e que a chave da porta de entrada abria também a porta do arquivo, onde o cofre era guardado.

A solução proposta pelos vereadores Messider e Lira, devidamente aprovada foi fantástica: que cada claviculário (um deles estava viajando) pagasse um terço do valor do prejuízo. Felizmente esta decisão foi revista depois de recebido ofício do Governo da Província que considerava os claviculares unicamente responsáveis pelas chaves e não pelo cofre e que o culpado, até provar-se o roubo ou furto por outra pessoa, era o funcionário da Câmara encarregado da guarda das chaves, o qual deveria ser afastado imediatamente e feita a representação junto ao Juiz de Direito. Resolveu a Câmara suspender o Secretário Miguel Pereira Campos e que lhe fosse cobrado o valor desaparecido. Uma semana depois o Secretário Miguel Pereira Campos, para não perder o emprego, entregou à Câmara a quantia de 405$382 e pediu a sua reintegração, o que foi aprovado. Ficou o mistério: quem roubou o cofre?

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