O sino novo da Matriz
Por Carlos Jayme de Siqueira Jaccoud, em 17 de novembro de 2009

Desde a sua inauguração, em 8 de dezembro de l869 a torre da Matriz de Nova Friburgo dominava, altaneira, todo o vale por onde se espalhava a pequena vila de então. Fora as montanhas que envolviam todo o conjunto, nada era mais alto. Nem os eucalíptos existiam. Lá do alto, sem nenhum obstáculo, os seus três sinos se faziam ouvir por toda a região. Eram como que o arauto da povoação. Os seus sinos batiam as horas, chamavam os fiéis para as missas, bimbalhavam alegremente anunciando as festas e, em cadência fúnebre, assinalavam a passagem dos enterros a caminho do morro do cemitério.

Num certo dia de festa, não resistindo ao entusiasmo do sacristão, ou por um defeito de fundição ou porque o entusiasmo era realmente muito grande, o sino maior rachou. O seu imponente e bonito som transformou-se num som abafado, rouco. Foi uma tristeza geral na vila. Um sino com aquelas dimensões custava muito caro e a pobre paróquia não tinha como comprar outro. Isto sem falar no dinheiro a ser despendido com a enorme estrutura de madeira que seria necessário levantar para a retirada do sino quebrado e a colocação do novo.
Durante trinta e um anos as horas assinaladas pelo relógio da Matriz passaram a ter o triste som de sino rachado.

Numa fria tarde do inverno de 1900 um cidadão friburguense, Francisco Guedes Teixeira Pinto, comprou dum vendedor de rua um bilhete de loteria que correria alguns dias depois. Ao passar em frente da Matriz o relógio da torre bateu as cinco roucas badaladas da tarde. Ele parou, entrou na igreja, ajoelhou-se e prometeu a São João Batista, padroeiro da cidade, que se o seu bilhete fosse o premiado ele doaria à igreja um sino novo. O seu bilhete foi premiado. Não tardou o devoto a cumprir a promessa e um novo sino chegou à cidade.

No dia 13 de junho daquele ano o Rev. Padre Alberto Teixeira Pequeno, vigário interino da paróquia, substituindo o cônego Miranda que fora em peregrinação a Roma e lá agraciado com o título de Monsenhor, reuniu a paróquia para o batismo do sino. O vigário interino, com os paramentos para grandes solenidades, celebrou a sagração e o batismo do sino que recebeu o nome de João Batista, em homenagem ao padroeiro da cidade. Serviram de paraninfos o senhor Francisco Vidal Gomes e a senhora Maria José Meireles. Terminada a solenidade o sino foi içado até o alto da torre por um engenho mecânico montado pelos construtores da terra, Francisco Leal e Antonio Martins. E, em festa, ecoou pelo vale o seu belo bimbalhar.

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