O centenário do Tiro de Guerra de Nova Friburgo
Por Nelson Alvarez, em 07 de maio de 2009


Sede atual do Tiro de Guerra 01-010
O Tiro de Guerra 01-010, de Nova Friburgo, está comemorando cem anos de fundação. Os atuais TGs são oriundos das antigas Linhas de Tiro. A Linha de Tiro Friburguense foi inaugurada em 15 de agosto de 1909. Atualmente, o TG 01-010 tem como chefe de instrução o 1º sargento de infantaria Isaías Henrique de Oliveira e como instrutor, o 2º sargento de infantaria Anderson Carlos Rodrigues de Menezes Bispo.
A história do TG 01-010 foi levantada por Vítor Dornelles, historiador formado pela Uerj e ex-chefe de instrução do TG. Sua pesquisa foi elaborada com base nos arquivos do TG, em históricos preparados pelo ex-chefe de instrução Geraldo Valin Pelúzio e pelo ex-atirador Gilberto Paulo de Souza (falecido em 2002), nos arquivos da família Cortes Teixeira e do Colégio Modelo, além dos arquivos do Pró-Memória, dirigido por Thereza Albuquerque, e entrevistas com ex-atiradores. Outra grande contribuição veio do acervo fotográfico cedido pela família do tenente Renato Lopes (falecido em 1990), que chefiou o TG por muitos anos.


Primeira Diretoria do Tiro Friburguense: Sentado, o presidente D.r José Piza; da direita para a esquerda, o Dr. Galdino do Valle Filho, vice presidente; Joaquim Antunes, tesoureiro; Leopoldo Rocha, secretário. O menino é Aécio Antunes, designado para saudar o Ministro da Guerra na festa da inauguração.
A história do TG

A inauguração da Linha de Tiro Friburguense, em 1909, contou com a presença de várias autoridades, inclusive o ministro da Guerra, general Carlos Eugênio de A. Guimarães. O primeiro diretor foi José Piza.
Em 13 de dezembro de 1927, foi inaugurado o Tiro de Guerra 24, que utilizava as instalações do Colégio Modelo, na época na Rua Leuenroth. O proprietário deste colégio, um entusiasta do serviço militar, era o professor Carlos Cortes, que presidiu o TG por vários anos. O primeiro instrutor foi o sargento Carlos Vieira de Carvalho.
Em 9 de janeiro de 1938, já na gestão do sargento Renato Arnaldo da Silveira Lopes, que assumiu o TG em 1934, foi inaugurada uma nova sede num prédio alugado na Rua General Câmara (atual Augusto Spinelli) n.º 27. No ano de 1941, foi iniciada uma campanha em prol da construção da sede própria, destacando-se Acácio Borges, presidente efetivo do TG, e o próprio sargento Renato. Ambos puderam contar com inestimáveis apoios, como os de Astrodêmia de Morais, que doou o terreno para a construção da sede, e Vitalina Neves, que cedeu um terreno para ser vendido e o dinheiro apurado ser usado para a construção do prédio. A inauguração aconteceu em 3 de outubro de 1942, em plena 2ª Guerra Mundial, quando os atiradores se preparavam para integrar a Força Expedicionária Brasileira (FEB) e lutar na Itália.
O obelisco que se encontra ao lado da sede foi erigido em homenagem aos ex-combatentes de Nova Friburgo, que aturam na Itália. Foi inaugurado em 18 de outubro de 1945, com uma homenagem especial ao expedicionário Antônio Durval de Moraes, morto em combate na Itália.
A partir de 27 de setembro de 1946, o Tiro de Guerra, reestruturado, recebeu o n.º 218. Renato Lopes chefiou a instrução até janeiro de 1949, quando passou à reserva remunerada como tenente, assumindo em seguida a direção do órgão até 1961, quando essa função passou a ser exercida pelo prefeito municipal.
Durante a chefia do sargento Nataniel Francisco de Moura, o prefeito Heródoto Bento de Mello iniciou a construção da residência do chefe de instrução nos fundos da sede do TG, realizando também uma reforma no prédio sede. A inauguração aconteceu em 25 de agosto de 1966.
No ano de 1979, todos os TGs foram extintos e em seguida criados novamente, com nova numeração, respeitando a antigüidade dentro da região. Assim, o de Nova Friburgo recebeu a numeração 01-010 (os dois primeiros dígitos por se tratar de um órgão da 1ª Região Militar).

Memórias

As divertidas lembranças dos atiradores

Tufik Miled
O sargento Renato era um gozador. Ele dizia ao atirador na hora do exercício: “Comece aí, 20 vezes; agora 40 vezes. Está bom”. Quando o atirador levantava, ele dizia: “Sabe de uma coisa? Gostei. Vamos fazer de novo?”

Aurelino Mury
A marcha era o principal exercício. Subíamos e descíamos pelas Braunes até o Sans Souci. Uma vez, era meio-dia, o pessoal estava com fome e um atirador jogou titica de cavalo no sargento Renato. Como o autor da façanha não se acusasse ficamos marchando até as 6 da tarde.

Gilberto Paulo de Souza
Uma vez dois atiradores queriam brigar. O sargento Renato deu uma espada para cada um e disse: “Lutem. O que vencer me enfrenta”. Ambos desistiram.

Sílvio Medeiros Lopes
Na volta da Itália, quando chegamos a Gibraltar, oferecemos trocar cigarros americanos por mercadorias, mas eles queriam café. Então pegamos pó de café já coado, embalamos e trocamos por cigarros, perfumes. Depois que eles descobriram o logro, passaram a só trocar mercadorias após examinar o pó de café.

Francisco Joaquim Pereira
Na instrução íamos até Bom Jardim a pé. O sargento Paulo dizia: “tem alguém aí tomando cachaça. Estou sentido o cheiro”. De fato alguns colocavam cachaça no cantil. Muitos não agüentavam a marcha. Uma vez cheguei lá carregando um colega, o meu fuzil e o dele. Outra vez, chegando lá, fizemos uma bagunça num bar, quebramos garrafas, pintamos. Voltamos de trem, mas ao chegar o sargento nos colocou para marchar, como castigo.

No dia do exame de tiro – eram 150 metros, eu com um pente com cinco balas dei três tiros e o capitão me tomou o fuzil: “Você passou com três; aí tem alguns que nem com dez passa”.

Galeria dos Chefes de Instrução e Instrutores

Renato Arnaldo da SilveiraNataniel Francisco de MouraGuaracy Rodrigues Cardoso VieiraMário Elias BotelhoAntônio Cezar RibeiroGeraldo Valin PelúzioJosé Geraldo ChirigattiJúlio Cesar Marques Serqueira dos SantosVitor Dornelles PiresRicardo Coelho da SilvaAlberto dos Santos Ferreira

Comentários (1)
marquinhos: 15/07/2009 18:40
O Tiro de Guerra ainda é um local, visto pela maioria da população em idade de servir, como um local de trabalho escravo ou de submissão completa. Não é verdade. Servi em 2003, com os sargentos Vitor e Coelho. E foram ele os responsáveis por uma das minhas mais importantes fases de vida. Lá dentro aprendi a consertar e fazer manutenção em computadores, por exemplo. Aprendi a respeitar horários e os meus superiores. Vi o quanto era importante ter disciplina na vida. O Tiro de Guerra é um local de amigos. Lógico que tinha suas horas de trabalho, como em qualquer outro local, mas eram horas de trabalho feitas com responsabilidade, não com brincadeiras. As pessoas eram respeitadas por lá. E continuam sendo. No começo é aquela chateação, colocada em nossas cabeças pelos mais velhos. Mas na formatura final, quando a gente recebe o diploma de formando pelo Exército Brasileiro, o orgulho fala mais alto e a saudade bate. Me orgulho muito de ter servido o 01-010. Posso dizer, sem gaguejar, que minha vida mudou muito depois de servir.  

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