Villa-Lobos estreou em Nova Friburgo
Por Nelson Alvarez, em 06 de março de 2009


Heitor Villa-Lobos
Fonte: Pró-Memória
2008


Uma das datas mais importantes da cultura friburguense é 29 de janeiro de 1915. Nesta data, aconteceu o primeiro concerto de Heitor Villa-Lobos, no extinto Theatro Dona Eugenia, que ficava na Rua General Câmara, atual Rua Augusto Spinelli. Foi sua estréia como compositor.
Naquela noite, ao lado de sua esposa, a pianista Lucília e do flautista Agenor Bens, Heitor Villa-Lobos, ao violoncelo, apresentou composições suas e de grandes mestres da música internacional. O concerto fez tanto sucesso que motivou outro logo depois, no dia 2 de fevereiro, desta vez no extinto Cinema Odeon, que ficava na Praça XV de novembro, atual Praça Getúlio Vargas, esquina com Rua General Pedra, atual Rua Farinha Filho.
Dias depois, ainda em Nova Friburgo, Heitor Villa-Lobos viria a compor e executar seu primeiro quarteto, em forma de suíte. A audição aconteceu na residência do maestro Homero de Sá Barreto, na Rua General Osório n.º 88. Participou do encontro, entre outros, o consagrado maestro Artur Eugênio Stutt.


Theatro Dona Eugênia
O Teatro e o Cinema

O Theatro Dona Eugenia teve sua construção iniciada em 1886, pela Sociedade Musical Beneficente Campesina Friburguense que pretendia desenvolver, além da arte musical, a dramática. O nome original seria Theatro Victor Hugo. Todavia, devido à alta dos salários dos operários e dos preços dos materiais, os trabalhos foram paralisados. Sem condições para continuar a obra, a diretoria da Campesina recorreu ao abastado fazendeiro Manoel Amâncio de Souza Jordão, que viera residir em Nova Friburgo, para continuar seu ideal.
Jordão adquiriu o imóvel e aceitou continuar a construção tal como foi planejado – o projeto veio da Itália – com a condição de mudar o nome do teatro para Dona Eugenia, a fim de homenagear sua esposa. Em 1892 foi retomada a construção, sob a direção do empreiteiro Francisco Alves da Rocha, natural de Portugal. No dia 19 de Fevereiro de 1895, o teatro foi inaugurado com a apresentação da ópera “Um baile de máscaras”, de Verdi, pela companhia lírica italiana Verdini & Rotoli. Manoel Amâncio de Souza Jordão já havia falecido, mas estava presente Dona Eugenia Jordão. O teatro tinha 212 cadeiras de platéia e 17 camarotes.
A partir daí, o Theatro Dona Eugenia foi palco de muitos acontecimentos importantes. Em 7 de Setembro de 1899, aconteceu em suas dependências, a primeira apresentação na cidade do “Cinematógrafo de Edson”. A novidade tornou-se atração na cidade, fazendo com que durante anos o Cine-Theatro Dona Eugenia passasse a alternar apresentações teatrais com sessões de cinema.
Em 1930, já tendo mudado de dono, passou a chamar-se Cine-Teatro Leal. Nessa época, sua fachada sofreria modificação. No final da década de 60, a televisão vai tomando aos cinemas a importância que ocupavam no cotidiano da população. Uma por uma, as salas de projeção da cidade vão fechando. O prédio foi vendido e demolido em julho de 1975, dando lugar a um prédio residencial.

Cinema Odeon
O Cinema Odeon funcionava num prédio construído mesmo para cinema, atração bastante popular na época. O prédio era de propriedade de José El-jaick, negociante na cidade. Não se sabe quando o cinema foi inaugurado, mas já existia em 1914. Todavia, ele não durou muito tempo. Em 2 de março de 1915, foi destruído por um incêndio. Na última sessão daquela noite uma fita queimou-se, propagando-se o fogo imediatamente às paredes da cabine, que eram de pinho assim como todo o madeiramento da casa. Nesta época, o prédio achava-se arrendado a Elias Antônio Yunes, que por sua vez o sublocara a Eduardo Bens.

(Matérias baseadas nesta pesquisa foram publicadas em A Voz da Serra: no dia 27 de Janeiro de 2005, página 7 e no dia 16 de julho de 2005, caderno Light, página 4)

Veja abaixo alguns recortes de jornais falando sobre os concertos:

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