Europa século XIX
A Revolução Francesa – 1789

A crítica situação econômica da França, às vésperas da revolução de 1789, exigia reformas urgentes e gerava uma grave crise política.

Em busca de uma solução, o ministro das Finanças de Luiz XVI propôs a convocação dos Estados Gerais, o que não acontecia desde 1614. Os Estados Gerais eram uma assembléia formada por representantes dos três estados ou ordens em que se dividia a sociedade francesa: Primeiro Estado - Clero; Segundo Estado - Nobreza; Terceiro Estado - Burguesia.


Consulado Francês: Napoleão Bonaparte aparece no centro da foto ao lado de seus colegas Jean Jacques Regis de Cambaceres, à esquerda, e Charles Francois Lebrun, à direita.
Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuniram no Palácio de Versalhes. Ao tomar conhecimento de que a votação seria feita por Estado, separadamente, os deputados burgueses não aceitaram tal decisão, porque isso garantiria a vitória do Clero e da Nobreza, que, unidos, defenderiam privilégios e interesses comuns.

Terminada a sessão, os deputados, membros do terceiro Estado, propuseram aos demais membros dos outros dois Estados que se reunissem em assembléia, na qual cada um teria direito a um voto. Recusada a proposta, os deputados burgueses, com apoio de alguns poucos membros do baixo clero e da nobreza, declararam-se em Assembléia Nacional e juraram permanecer reunidos até que ficasse pronta a Constituição. Estava estabelecida a Revolução.

O rei tentou várias vezes anular as decisões da Assembléia Nacional, porém as agitações políticas no país obrigaram-no a pedir aos outros Estados que se unissem ao Terceiro. Assim, em 9 de julho de 1789, reuniu-se a Assembléia Nacional Constituinte, encarregada de elaborar uma Constituição para a França.

Preocupado com seu futuro político, o rei tentou organizar tropas para reprimir as manifestações burguesas e populares, sem sucesso. Em 14 de julho de 1789, a população de Paris tomou a Bastilha, prisão política, símbolo do autoritarismo e das arbitrariedades cometidas pelo governo. A destruição da Bastilha foi um marco da explosão popular. Depois dela, a agitação espalhou-se por toda a França.

No meio rural, os camponeses subelevaram-se, ocupando castelos e outras propriedades senhoriais, assassinando nobres, invadindo cartórios e destruindo títulos de propriedade.

Com medo de que a revolução camponesa se espalhasse e atingisse suas propriedades, a burguesia propôs o fim dos direitos feudais, que foram extintos em agosto de 1789. Alguns dias depois, a Assembléia aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Documento este que assegurava a cada cidadão o direito de se rebelar contra os abusos do governo, o direito à liberdade, à igualdade perante a lei e à defesa da propriedade.

No ano seguinte, foi aprovada a Constituição Civil do Clero, que determinava o confisco dos bens do clero francês e transformava seus membros em funcionários do Estado, sujeitos a penalidades em caso de rebeldia. Depois disso, muitos padres e uma grande quantidade de nobres fugiram para outros países, onde se organizaram militarmente para combater a Revolução. Em junho de 1791, Luiz XVI tentou fugir da França, porém foi reconhecido e reconduzido a Paris.

Em setembro de 1791, é promulgada a primeira Constituição francesa que estabelecia a monarquia constitucional hereditária e a existência de 3 poderes: Executivo, exercido pelo rei; Legislativo, constituído por deputados eleitos por períodos de 2 anos; e o Judiciário, formado por juízes também eleitos.

Contudo, a instabilidade na França era quase total. A massa pobre, embora tivesse participado do processo revolucionário, estava insatisfeita. A mudança do regime político, de monarquia absolutista para monarquia constitucional, não alterara sua miserável condição de vida. Suas reivindicações não tinham sido totalmente atendidas, e a Constituição não lhes dera sequer o direito de votar. A derrota da França para os exércitos da Áustria e da Prússia gerou novas manifestações populares, nas quais se exigia a prisão dos responsáveis pelo fracasso militar francês. Em agosto de 1792, ameaçada de morte pelo comandante dos exércitos inimigos, a população mais pobre de Paris invadiu o Palácio das Tulherias. O rei foi preso e acusado de traição. Os rebeldes parisienses exigiram a convocação de uma nova Assembléia que deveria ser eleita por voto universal.

Em vinte de setembro do mesmo ano, dia em que os exércitos franceses esmagaram os estrangeiros, foi proclamada a Primeira República Francesa que seria governada por uma Assembléia Chamada Convenção.


Período da Convenção – 1792

No período da Convenção Nacional, momento de maior radicalismo político da Revolução, três facções partidárias disputavam a liderança:

- Girodinos: representantes da alta burguesia, composta por banqueiros e grandes proprietários.

- Planice ou Pântanos: oportunistas e corruptos, os membros desse partido também eram da alta burguesia.

- Jacobinos ou Montanheses: representantes da média e pequena burguesia e das classes populares formavam o Partido da Montanha.

Os Jacobinos, apoiados nos sans-cullotes, conseguiram a condenação do rei Luiz XVI que morreu guilhotinado em Janeiro de 1797; alguns meses mais tarde, sua mulher, Maria Antonieta, e outros membros da família real também foram condenados à morte.

Crescendo em prestígio junto às camadas populares, os Jacobinos depuseram os Gerodinos e assumiram o governo do país através do Comitê de Salvação Pública. Esse órgão era responsável pela administração interna, pelo controle do Exército e pela defesa da França.


Óleo de Jean Louis David-século XVIII
"O assassinato de Marat"
Como reação à queda e à morte de vários Girodinos, uma jovem girodina assassinou Marat, líder dos sans-cullotes. A morte de Marat determinou o início do período conhecido como Período do Terror (1793-1794), caracterizado pela extrema violência, embora tenha sido uma fase de importantes reformas sociais: abolição da escravatura nas colônias francesas, venda dos bens dos nobres para os camponeses, abolição da prisão por dívidas, educação pública gratuita, aumento dos salários. O Tribunal Revolucionário, criado pelos Jacobinos, liderados por Robespierre, foi responsável pela prisão arbitrária de mais de 300 mil pessoas e pela condenação à morte de aproximadamente 20 mil.

O radicalismo de Robespierre levou-o a condenar à morte vários membros da própria Convenção e líderes populares que discordavam de algumas de suas posições. Como conseqüência, Robespierre perde apoio popular, é derrubado pelos Girodinos, preso e guilhotinado.

Em 1795, os novos donos do poder dissolveram a Convenção e votaram uma nova Constituição pela qual o Poder Executivo passava a ser exercido por um Diretório composto por 5 membros.

Corruptos e ladrões (em sua maioria) levam a França ao caos econômico em pouco tempo, perdendo a credibilidade.

No final desta época, a França se encontrava mergulhada em grave crise financeira, violência interna e guerras externas.

Em 1799, a alta burguesia aliou-se a Napoleão Bonaparte e, juntos, deram um golpe e derrubaram o Diretório. Iniciava, assim, o período Napoleônico na Europa.


Império Napoleônico - 1804

Para a burguesia golpista de 1799, o general Napoleão Bonaparte era o homem capaz de, através de um governo forte e de firme liderança política, recuperar a ordem e a estabilidade econômica do país, proteger a riqueza da burguesia alta e salvá-la dos perigos das manifestações populares e jacobinas.

Apoiado por forças militares, Napoleão assumiu o governo da França como autêntico ditador. Sua ascensão ao poder significou um corte profundo nas aspirações das camadas populares, embora tenha restabelecido o voto universal para todo cidadão maior de 21 anos.

A nova Constituição, que estabelecia o regime de Consulado, disfarçava, em parte, a ditadura; pois, na prática, toda a vida político-administrativa francesa estava sob seu controle.


Óleo de Jean Louis David-século XIX
"Napoleão Bonaparte nos Alpes"
Buscando consolidar as instituições burguesas, Napoleão centralizou a administração pública e destituiu as autoridades eleitas pelo voto. Criou o Banco da França, melhorou o sistema de arrecadação e elaborou o Código Civil, considerado o ato mais importante de seu governo.

O Código Civil unificou as leis francesas com o objetivo de assegurar conquistas burguesas, como a regulamentação do direito da propriedade privada, a igualdade do cidadão perante a lei, o controle do empregado pelo patrão, a proibição de greves e organizações sindicais, etc.

Suas realizações internas e as vitórias militares no exterior consolidaram sua autoridade. Aclamado pelo povo e sagrado pelo Papa, Napoleão se autocoroou Imperador da França em 1804.

Como representante maior dos interesses da burguesia, Napoleão e sua equipe procuraram desenvolver o capitalismo e a economia, promovendo um extraordinário crescimento do comércio interno e externo e da produção industrial e rural. No entanto, sua política social caracterizou-se pela opressão, aniquilando as liberdades políticas, individuais e de pensamento. Os movimentos operários foram proibidos. Os direitos do homem e do cidadão foram suprimidos. As prisões arbitrárias e as torturas refletiam a violência da política. Jornais foram fechados e se estabeleceu uma rígida censura prévia à imprensa e à publicação de livros. Intelectuais perseguidos fugiam da França. A educação, controlada pelo Estado, visava condicionar a juventude francesa no absoluto respeito ao Imperador, à pátria, à família e à religião.

A grande pretensão do Imperador era transformar a França numa grande potência industrial. Para isso era necessário aniquilar a tão organizada prosperidade britânica. A Europa explodia numa grande batalha.

Vários confrontos se sucederam entre franceses e ingleses até que, em 1806, ao vencer os exércitos prussianos, Napoleão entrou vitorioso em Berlim, onde decretou o Bloqueio Continental, com o objetivo de arruinar a economia inglesa.

O Bloqueio Continental proibia a Europa continental de comercializar com a Inglaterra, ao mesmo tempo em que impedia a frota britânica de operar nos portos europeus.

A Europa explodia num clima de miséria e incertezas, dando origem a outros movimentos revolucionários, como: a invasão da Rússia, em 1812, pelos franceses, como conseqüência do rompimento do compromisso de adesão ao Bloqueio Continental e a explosão da revolução espanhola em 1813 que, em apoio à Inglaterra, rompia os compromissos políticos com a França, obrigando-a a devolver a coroa espanhola a seu legítimo rei.

Em Junho de 1815, os exércitos franceses foram definitivamente derrotados pelos ingleses e exércitos aliados, na famosa batalha de Waterloo. Napoleão foi preso e enviado para a ilha de Santa Helena, uma colônia inglesa localizada no Atlântico Sul, onde faleceu em 1821.


Corte Portuguesa no Brasil - 1808

Durante o Bloqueio Continental, imposto por Napoleão, Portugal, por ser um país economicamente dependente da Inglaterra, assinou com o governo inglês um acordo secreto pelo qual se comprometia a não aderir ao Bloqueio. Em troca, teria garantida a proteção dos ingleses.

Contudo, a ameaça de invasão perdurava. Em 18 de outubro, o exército francês (liderado por Junot) atravessa Bidassoa, na tentativa de invadir Portugal. Em 27 de Outubro, é assinado o tratado franco-espanhol, o que tornava os espanhóis cúmplices dessa invasão, como já havia acontecido em Nápolis com os Bourbons. Mas, ao contrário do que se previa, Napoleão fracassa. Um dia antes da invasão francesa, exatamente em 30 de novembro, a corte real portuguesa, a família real, arquivos e tesouros, embarcam para o Brasil protegidos pela esquadra britânica.

Com a chegada de dom João VI ao Brasil, em Janeiro de 1808, o país deixou de ser colônia e se transformou em sede do governo português. O Bloqueio Continental e a política imperialista de Bonaparte tiveram, portanto, importantes conseqüências na história do Brasil.


O início da Restauração - 1815

Após anos de revoluções e guerras, fica a Europa marcada por épocas seguidas de penúria e, com ela, o sofrimento de um povo à caça do pão de cada dia. O início da Restauração será, seguramente, difícil.

No final de 1815, já após a queda de Napoleão, os representantes dos países aliados, que o derrotaram, reuniram-se na Áustria, mais precisamente em Viena e, num amplo congresso, Áustria, Inglaterra, Prússia e Rússia, legítimas representantes do conservadorismo tradicional europeu, recuperam seus privilégios e reassumem o controle do poder político e das massas trabalhadoras na Europa. Esse encontro fica historicamente conhecido como o Congresso de Viena.

A França, por sua vez, ameaçada de ter o seu território dividido, promove, através de seu representante no congresso, o Princípio da Legitimidade, pelo qual os países europeus deveriam manter as posições fronteiriças de 1789.

Sua proposta não é aceita pelos países líderes no Congresso, que elaboram um novo mapa para Europa. Esse mapa favoreceu, principalmente, a Áustria (presenteada com a anexação de vários territórios italianos e alemães).

O antiliberalismo radical da maioria dos congressistas fica evidenciado com a criação da Santa Aliança. Aliança esta cujos exércitos estariam autorizados a intervir em qualquer nação onde surgisse movimentos revolucionários liberais que pusessem em risco os governos absolutistas.


Imigração Suíça - 1816

O início da Restauração é caracterizada pela fome e pela penúria. Encerra-se o período Napoleônico, e as nações fortes reestruturam-se. O liberalismo econômico retorna e a concorrência volta a ser a regra No 1 da vida econômica européia.

A revolução industrial, agora, a pleno vapor, produzia seus primeiros efeitos. A produção inglesa de maquinários crescia; e, na mesma proporção, crescia também a produção de manufaturados. A Inglaterra exportava mais e mais.

Frente a isso, estavam os países com menor potencial de industrialização. Importavam máquinas inglesas; mas, se por um lado, aumentava a produção, estas máquinas acabavam por suprimir a mão-de-obra. O desemprego aumentava. Como conseqüência direta, a maioria dos países protegia-se da concorrência externa, aumentando as tarifas de importação. Neste caso, as principais vítimas eram os pequenos países exportadores. Entre eles, a Suíça. A vitalidade de suas indústrias dependia mais do que nunca do mercado francês. A crise na confederação helvética chegava, então, ao auge. A França, a primeira a adotar políticas restritivas de importações, suprimia o principal canal de comercialização dos produtos suíços.

Para piorar ainda mais, em meados de 1816, os suíços enfrentavam condições climáticas totalmente desfavoráveis ao plantio de grãos. Em toda Europa o ano de 1816 ficou conhecido como "ano sem verão". O motivo fora a extraordinária explosão do monte Tambora, na Indonésia, 1 ano antes. Devido a sua localização geográfica - próxima dos Alpes, a Suíça, Áustria e o norte da Itália, foram os países que mais sofreram as conseqüências trazidas com a explosão do Tambora (Saiba mais)

Se as condições eram ruins para as indústrias, pior ficava a situação da grande massa trabalhadora, diante da grave crise alimentar que se seguiu. Veio, então, a fome e a penúria. O lado oriental da Suíça foi impiedosamente atingido. Nos Cantões industrializados e em certas regiões de Thurgau e Zurique a maioria da população não tinha absolutamente nada com que se alimentar. Em 1817, St. Gallen registrou 5 mil mortes provocadas pela fome e desespero.

As conseqüências foram, então, inevitáveis. Milhares de suíços deixam o solo pátrio e partem para outros países em busca de melhores condições de vida.

Conforme alerta Martin Nicoulin em seu livro "A Gênese de Nova Friburgo", o movimento migratório de 1817 não deve ser confundido com o de 1816. Este foi provocado pela crise industrial e comercial e se deu normalmente. Já o de 1817, foi provocado pela fome e pela miséria e teve, desgraçadamente, a morte como cenário.

O movimento migratório, a partir de 1816, pode ser medido pela evolução da crise econômica. Na medida em que esta se deteriora, a emigração aumenta e toma novos rumos.

As atenções dos corajosos aventureiros suíços se voltam agora para o Novo Mundo. Chegam a sonhar com a Nova Suíça às margens do Ohio. Apesar do desconforto causado pelas incertezas, pelo medo e por perspectivas pessimistas, os suíços resolvem partir. Em 12 de abril, 300 emigrantes, provenientes da Basiléia, partem para Holanda e, de lá, embarcam para a América. Em 16 de abril, os jornais suíços anunciam que vários barcos navegam pelo Reno com destino à Holanda.

Não considerando muito os dados subdimensionados da época, calcula-se que, no período de 1816-1817, cerca de 10.000 suíços deixaram o solo pátrio e partiram com destino à América do Norte.


Registre-se também que a tentativa de intervenção nos países americanos pela Santa Aliança encontra forte resistência dos Estados Unidos, concretizada através da Doutrina Monroe de 1823. "A América para os americanos."


Sebastian N. Gachet - 1818

Apesar dos altos encargos creditados ao "Cidadão de Gruyères", título creditado pelos brasileiros a Sébastien-Nicolas Gachet, quanto aos muitos problemas vividos pelos suíços durante o processo migratório para o Brasil, há de se registrar, como verdadeiro, sua competência na negociação com o governo português que culminou com decreto do Rei D. João VI, fundando a colônia suíça na fazenda de Morro Queimado; mais tarde cidade de Nova Friburgo.

Durante o verão de 1817, o veleiro francês Emilie deixa o porto de Havre em direção à América do Sul. Seu destino é a cidade do Rio de Janeiro. A bordo, um diplomata de Fribourg trazia em sua bagagem o compromisso de uma importante missão. Encarregado pelo governo suíço, seu objetivo era de propor à corte de D. João VI a vinda de uma leva de emigrantes suíços para o Brasil.

Segundo registros obtidos dos escritos de Martin Nicoulin, nosso diplomata era um homem de 47 anos. Durante parte de sua infância viveu e trabalhou numa pequena loja em Gruyères. Filho de família pobre viveu sempre com muito sacrifício. Foi alimentado pelo seu pai (marceneiro humilde) juntamente com mais onze irmãos. Certo dia, deixa a família e parte para França acompanhado por um tio, militar da reserva. Em Versalhes, estudou num seminário. Os registros históricos são insuficientes para se determinar os fatos ligados aos seus estudos nesse período. Nesta época, surge o nome de Joachim Murat, seu amigo de escola. Mais tarde, ao final dos estudos, cada qual seguirá seu caminho. Durante o período de revoluções que explode na Europa, Murat alista-se na cavalaria e logo obtém a patente de coronel. Quanto a Gachet, que queria ser soldado, contenta-se com um posto administrativo, pois era corcunda. Mais tarde, Murat torna-se governador de Paris; depois Marechal do Império e arquiduque de Clèves, e Berg. Gachet, seu secretário particular, atinge o auge em sua carreira. Em 13 de outubro de 1815, Murat é fuzilado como traidor do Império. Gachet, percebendo que o fim do império está próximo, parte para Turquia. Durante esta viagem, é preso por piratas e enviado para Argélia como escravo. Em 27 de agosto de 1816, é libertado e volta a Paris onde procura a embaixada portuguesa. O que, exatamente, foi tratado neste encontro não se sabe. Foi um encontro importante para Gachet; pois, a partir daí, o Brasil passa a fazer parte do seu destino.

Em 5 de maio de 1817, Gachet recebe da prefeitura de Gruyères um passaporte para ir ao Brasil. Dois dias depois, Gachet escreve aos representantes do governo de Fribourg sobre seu projeto. Muitas negociações, então, foram articuladas a partir daí. Em 23 de maio de 1817, um documento resumia, de forma clara, seus objetivos:

"NÓS, O MAGISTRADO e o CONSELHO DE ESTADO da Cidade e República de Fribourg, fazemos saber: Que estando informados da intenção do Senhor Sébastien Nicolas Gachet de Gruyères, de ir estabelecer-se no Brasil para lá formar um estabelecimento agrícola, e conhecendo sua competência assim como sua dedicação ao bem e ao progresso de seus concidadãos, nós o encarregamos de efetuar na Corte do Rio de Janeiro os contatos necessários para saber se S.M.F. estaria disposta a facilitar o estabelecimento de novos colonos suíços em seus Estados, quais ajudas lhes seriam concedidas para empreenderem tão longa viagem e que vantagens poderiam esperar ao chegarem ao destino.
Convidamos o Senhor Gachet a nos remeter as informações pertinentes que puder obter a esse respeito, a fim de lhe enviarmos instruções mais pormenorizadas. Em nome do que, entregamos ao Sr. S. N. Gachet a presente Carta Patente, para que dela faça uso.

Fribourg, 23 de maio de 1817.
O Magistrado em função (Techtermann)
O Secretário de Estado (Appenthel)"



Explosão do Tambora - A maior explosão vulcânica já ocorrida nos tempos modernos.


É a maior cratera do mundo com 1200 m de profundidade e 8 km de largura;
A explosão piroplástica ocorrida em 1815 atingiu 50 km de altitude, 10 vezes maior do que a explosão do vulcão Krakatoa; ou 3 milhões de vezes maior do que a bomba de Hirochima;
As milhares de ilhas da Indonésia, que repousam sobre uma zona em que duas placas tectônicas se encontram, são um dos melhores cenários para grandes detonações, como a do Krakatoa. O choque entre as placas pode ativar qualquer um dos cerca de 130 vulcões da área. Como válvulas mal reguladas de uma imensa panela de pressão, vez por outra um deles estoura, lançando ao ar milhões de toneladas de magma. O Krakatoa até que foi modesto. Entre os dias 5 e 10 de abril de 1815, outro monte indonésio, o Tambora, deu seu espetáculo de destruição com uma intensidade dez vezes maior - essa, sim, a mais colossal explosão já registrada. Calcula-se que a erupção e seus efeitos posteriores tenham causado a morte de 70.000 pessoas. As cinzas e os gases liberados na atmosfera resfriaram o planeta e provocaram grandes perdas na agricultura. A Europa viveria no ano seguinte, 1816, uma era de fome e crises sociais, no que se chamou de "ano sem verão".

O índice de Explosividade Vulcânica (VEI) compara a violência de diferentes erupções vulcânicas. Considera diversos fatores como a altura da pluma ou coluna da explosão, o volume do material emitido e a duração da erupção:

VEI 0 Erupções não explosivas com plumas inferiores a 100 m de altura; emissão inferior a 1000 m3 de piroclastos; duração variável; ex. Kilauea, Havaí, 1983;

VEI 1 Erupção suave com pluma entre 100-1000 m altura; emissão inferior a 10000 m3 de piroclastos; explosões até 1 h; ex. Stromboli, Itália.

VEI 2 Erupção explosiva com pluma entre 1-5 km de altura; emissão até 0,01 km3 de piroclastos; duração entre 1-6 h; ex. Colima, México, 1991.

VEI 3 Erupção intensa com pluma entre 3-15 km de altura; emissão de 0,01-0,1 km3 de piroclastos; duração entre 1-12 h; ex. Nevado del Ruiz, Colômbia, 1985.

VEI 4 Erupção catastrófica com pluma entre 10-25 km de altura; emissão de 0,1-1 km3 de piroclastos; duração entre 1-12 h; ex. Sakura-Jima, Japão, 1914.

VEI 5 Erupção catastrófica com pluma superior a 25 km de altura; emissão de 1-10 km3 de piroclastos; duração entre 6-12 h; ex. Monte St. Helens (Monte Santa Helena), EUA, 1980.

VEI 6 Erupção colossal com pluma superior a 25 km de altura; emissão de 10-100 km3 de piroclastos; duração superior a 12 h; ex. Krakatoa, Indonésia, 1883.

VEI 7 Erupção super-colossal com pluma superior a 25 km de altura; emissão de 100-1000 km3 de piroclastos; duração superior a 12 h; ex. Tambora, 1815.

VEI 8 Erupção mega-colossal; emissão superior a 1000 km3 de piroclastos; Yellowstone, EUA, há 640000 anos
Educação Ambiental na Prevenção de Desastres Naturais (02-05-2012)
Seminário de Abertura na Câmara Municipal a
partir das 10:00h nos dias 03 e 04 de maio.

Projeto do Bicentenário de Nova Friburgo (19-11-2011)
Projeto do Bicentenário de Nova Friburgo dá a partida em direção aos 200 anos de nossa cidade

Bicentenário NF (01-10-2011)
O Bicentenário de Nova Friburgo

Lista dos Aprovados - Concurso de 1999 (30-08-2011)
AVISO IMPORTANTE
Sobre o Concurso Público de 1999

I Encontro Estadual de Arquivos (19-08-2011)
A Fundação D. João VI de Nova Friburgo estará presente para uma apresentação dos trabalhos de digitalização e uma demonstração da tecnologia desenvolvida

O Pró-Memória e o Arquivo Nacional (13-08-2011)
Uma visita ao Arquivo Nacional e a promessa de uma parceria promissora.