Alemães
OS COLONIZADORES ALEMÃES EM NOVA FRIBURGO
por Armindo L. Müller
almolitor@ig.com.br



Introdução

Trazemos a público esta pequena obra com o intuito de oferecer mais luzes e informações sobre o início da imigração alemã no Brasil, especialmente para Nova Friburgo, que pode ser considerado o Berço da Colonização Alemã no Brasil.
Este acontecimento ainda apresenta muitas dúvidas e perguntas, que devem ser dirimidas com novas pesquisas. Por exemplo: por que os primeiros imigrantes foram estabelecidos no sul da Bahia ? O império brasileiro desejava trazer, preferencialmente, agricultores ou soldados ? Por que os imigrantes do “Argo” foram estabelecidos no Morro Queimado (Nova Friburgo) e não no sul da Bahia, para onde estavam destinados ?

A nossa intenção primeira é ajudar na procura de respostas. Mas a intenção maior é tentar registrar os nomes dos imigrantes alemães e – especialmente – fixar a grafia original dos sobrenomes. Constantemente somos procurados por pessoas que não mais conseguem determinar a sua origem, porque os nomes, com o passar dos anos, foram alterados e adulterados. Só para citar alguns exemplos: Gradwohl virou Gratival; Bröder virou Breder, Gundacker se transformou em Condack; Schwab foi alterado para Schuabb; Laubach é hoje Louback e assim por diante.

O presente trabalho não pretende ser conclusivo, mas animar para continuar a busca. Muito ainda existe por fazer. Mas acredito que vale a pena.


Nova Friburgo - O berço da colonização alemã no Brasil


A imigração alemã no Brasil teve o seu início no sul na Bahia. Foram, porém, iniciativas que não deram certo.

O primeiro empreendimento bem sucedido também fora destinado para o sul da Bahia. Mas por decisão do agenciador major von Schaeffer foi enviado para suprir a lacuna deixada pelos suíços que debandaram de Nova Friburgo. A colônia alemã teve aqui o seu início, no dia 3 de maio de 1824. Vieram 342 pessoas (128 casados e 214 solteiros). Mas - desconhecemos os motivos - foram enviadas para cá. Os Rebelaram-se contra esta decisão, mas não tiveram escolha.
Os pioneiros vieram em dois navios até a Armação da Baleias, na Praia Grande:
“Argo” (ou “Argus”) – chegou ao Rio de Janeiro em 13.01.1824
“Caroline” – que chegou em 13.04.1824

A grande maioria dos passageiros constava de soldados, que haviam sido angariados pelo Governo Imperial para formarem os Batalhões de Estrangeiros. Estes últimos foram engajados nos seus respectivos batalhões. Os demais imigrantes, em sua grande maioria agricultores, permaneceram por mais de três meses nos armazéns da Armação das Baleias.

Os imigrantes que vieram no “Argo” tiveram uma viagem muito acidentada: tiveram que enfrentar violentas tempestades e até foram atacados por piratas. Entre os passageiros contamos o pastor luterano Friedrich Oswald Sauerbronn, que perdeu a esposa durante a travessia. Acompanharam-no, entre outras, as famílias Baum, Berbert, Bröder, Dörr, Eller, Jonas Emmerich, Faltz, Grieb, Heiderich, Heringer, Hermann, Jünger, Klein, Laubach, Nanz, Riegel, Schenkel, Schneider, Schott, Schwab, Schwenck, Schwind, Spamer, Ulrich, Winter e outras. A viagem durou longos sete meses, com muitos contratempos.

No segundo navio, o “Caroline”, que teve uma viagem tranquila, vieram as famílias: Brust, Dietrich, Johann Emmerich, Gradwohl, Höfel, Kaiser, Meyer, Nagel, Oberländer, Schmidt, Storck, Wolf e outras mais.

A vida destes imigrantes pioneiros não foi nada fácil: encontravam-se, agora, num país diferente, com costumes e clima diferente, não falavam a mesma língua e foram assentados em terras praticamente impróprias para a agricultura. Em vista disto, grande parte destas famílias debandou e foi à procura de terras mais apropriadas nos municípios vizinhos. Algumas tomaram o rumo de Manhuaçu-MG e outras do Rio Grande do Sul, onde se estabeleceram.

Já que a maioria destes imigrantes era de confissão luterana, foi-lhes permitido exercerem aqui a sua fé, sob a liderança do pastor que os acompanhava. Este fato é importante, pois até a Proclamação da República, em 1889, o catolicismo continuou sendo a religião oficial do país. Os luteranos podiam exercer o seu culto em casas, sem forma exterior de templo. Também os matrimônios efetuados pelo pastor luterano não tinham valor legal. Tudo isto trouxe muitas situações de conflito e desavenças.

No dia 14 de maio de 1824 foi instalado o Cemitério Protestante (hoje conhecido por Cemitério Luterano “Jardim da Paz”), um dos cemitérios não católicos mais antigos do Brasil, onde se encontram as sepulturas de diversos pioneiros, entre os quais a do pastor Sauerbronn.


Cronologia da Imigração alemã no Brasil


1809 – Imigração urbana. Com a vinda de D. João VI vieram centenas de comerciantes e industrialistas ao Rio de Janeiro, entre eles diversos alemães.

1817 – Com a imperatriz Leopoldina vieram cientistas, entre os quais: o zoólogo vienense Johann Natterer (+ 1843), o zoólogo Johann Baptist Spix (* 17.04.1781 Francônia; + 1826) e o botânico Karl Friedrich Philipp von Martius (* 1794 Francônia; + 1868).

1818 - Cachoeira de Santa Leopoldina (o nome correto é: Colônia Leopoldínia) – suíços e alemães estabelecidos pelo alemão Georg Wilhelm Freyreiss (1789-1825), às margens do rio Peruípe, próximo do atual município de Caravelas, na Bahia (5 sesmarias) – num total de 133 pessoas: Charles Louis Borrel, David Pache, Johann Martin Flack, Abraham Langhans, August Tolsner, Georg Wilhelm Freyreiss, Pierre Henri Béguin e Phelipe Huguenin-Vuilemment e suas respectivas famílias. Deste empreendi-mento ainda teriam participado o cônsul Peter Pycke e o naturalista Morthardt. Em 1938, a localidade passou a denominar-se Distrito de Helvécia, no atual município de Viçosa, onde ainda existem descendentes e remanescentes destes imigrantes pioneiros.

1819 - Colônia de São Jorge dos Ilhéus (São Jorge da Cachoeira de Itabuna) – ali foram estabelecidos 161 alemães (28 famílias), às margens do rio Cachoeira, no atual município de Ilhéus, na Bahia, por Peter Weyll e Adolf Saueracker. Cultivaram, principalmente, tabaco, cacau e cereais. A colônia foi adminis-trada por Johann Philipp Henning. Em 1823, parece ter vindo, no “Anna Louise” (há controvérsias sobre o nome do navio, pois outros citam “Anna Maria”), Johann Heinrich Berbert, que se tornou conhecido como “o rei da floresta”, talvez o maior produtor de cacau da Bahia.

1819 - Nova Friburgo (colônia instalada na fazenda do Morro Queimado) – imigrantes suíços e alemães, que vieram nos navios “Daphne”, “Urania”, “Elizabeth Maria” e “Debby Eliza”.

1819 - Em 04.11.1819 teria vindo a galera francesa “Constância”: 26 suíços, vieram expontaneamente (cf. Gazeta do Rio de Janeiro, novembro 1819).

1820 - Nova Friburgo – suíços e alemães dos navios “Camillus”, “Heureux Voyage” (Feliz Viagem), “Trajano” e “Deux Catharines” (Duas Catarinas), que foram para Nova Friburgo.

1821 - Fundação da Sociedade Germânia no Rio de Janeiro pelos alemães: Carl Hindrichs, Johann Daniel Deussen, Heinrich Kroff, Johann Gottfried Ullmann, Christian ten Brink, Friedrich Wilhelm Viermond, Friedrich Fröhlich, Wilhelm Fröhlich, Christian Stockmeyer, Johann Weber, Ludwig Schlichting, Wilhelm Braun, Wilhelm von Theremin, Conrad Friedrich Dau, Johann Friedrich Bothe, Franz Scheiner, W. F. Leistner, Eduard Lindenberg, J. L. Hermes, F. L. Hüpeden, Joseph Scheiner, André Hechel e outros.

1822 - Frankenthal – criada pelo major von Schäffer às margens do rio Jacarandá, afluente do rio Peruípe, na Bahia (4.356 hectares): o suíço Albernas (de Lausanne - fazenda Providência), de Coffrene (de Neuchâtel – fazenda Haute Rive) e um imigrante de Nantes (fazenda Esperança). Em 1824 eram ainda 20 pessoas (4 famílias) da Francônia.

1822 - Fazenda da Mandioca (Petrópolis) – 40 famílias alemãs contratadas pelo médico Georg Heinrich von Langsdorff (1774-1852), os primeiros colonos “braços livres” a trabalhar numa fazenda, entre os quais as famílias: Michael Zanger, Anton Stramb, Martin Koch, Catharina Franz, Carl Autenrieth e Wilhelm Müller.

1823 - Em 23.01.1823, em Frankfurt sobre o Meno, o pastor Sauerbronn se encontrou com Philipp Jakob Kretschmar, que se dizia representante dos alemães Weyl, Saueracker e von Esback (que teriam fundado a Colônia de Almada, na Bahia), e firmaram o contrato para a vinda de colonos. Esta leva foi desviada para o Morro Queimado (Nova Friburgo).

1824 - Morro Queimado (não confundir com Queimados – na baixada fluminense - como sugerem alguns) - alemães destinados à Colônia de Almada, mas instalados em Nova Friburgo, em 03.05.1824. Vieram nos navios “Argo” (navio não fretado pelo major von Schäffer) e “Caroline”: total de 342 pessoas.

1824 - Fundação da Comunidade Luterana de Nova Friburgo, em 03.05.1824: a primeira da América Latina

1824 - Colônia de São Leopoldo (no Rio Grande do Sul) – a segunda leva de imigrantes organizada pelo major von Schäffer, que chegou ao seu destino em 25.07.1824, no “Anna Louise”, 39 pessoas, seguida, pouco depois, da terceira leva, do “Germânia”.

1827 - Fundação da Comunidade Protestante Alemã do Rio de Janeiro.

1837 - 238 colonos do “Justine”, destinados à Austrália, foram estabelecidos no Caminho das Cabras, na serra da Estrela, caminho de Petrópolis. Entre eles se contavam as famílias de Andreas Andresen, Johann Gundacker, Michael Wilhelm Kettenring, Maria Klein, Hans Johann Gottlob Roth, Friedrich Dettlev Lüttgens, Peter Weissmann e Johann Heinrich Wircker. Foram, depois, instalados em Itamarati e alguns em Nova Friburgo.


Os primeiros imigrantes alemães

Segue abaixo a relação completa dos primeiros imigrantes alemães para Nova Friburgo.
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